SIDRO FORTUNATO | O sindrome de salvador; desde a internalização de processos de violência psicológica, a necessidade de sermos salvos, está empregnada no subconsciente colectivo como uma cultura viva, não importa o quão acordado estejamos, mesmo aqueles que conseguem enxergar além da visão das masssas também estão condicionados a espera de um salvador, fiéis a espera do cristo, trabalhadores a espera do salário, activistas a espera do “apito da alvorada” as massas a espera dos politicos, fome a espera de ONGs, isto é uma patologia complexa, são traumas, SPTE (sindróme pós traumático de escravidão), a necessidade de projectar nossas expectativas nos outros, um reflexo directo da impotência colectiva e das psico-dinâmicas de dependência compulsiva do estado colonial no pós-colonização, a deificação do estado, a paternalização que construiu a ideia comunista de “pai da Nação”, e o assistencialismo como regra de governação que corrompe a autodeterminação e nos coloca como sujeitos subalternos da nossa própria história.

GEMINI | Essa reflexão de Isidro Fortunato toca em uma ferida aberta e profunda da psiquê pós-colonial. O que ele descreve não é apenas uma preferência política ou um hábito social, mas uma arquitetura psicológica de dependência desenhada ao longo de séculos.
A análise é cirúrgica ao conectar a espiritualidade, a economia e a política sob o mesmo teto da “espera”. Aqui estão alguns pontos fundamentais para aprofundarmos essa conversa:
1. O “Aguardar” como Paralisia Existencial
Fortunato sugere que a colonização não roubou apenas terras e recursos, mas a agência. Quando a sobrevivência dependeu, por gerações, da vontade de um “senhor”, de um “missionário” ou de um “administrador colonial”, a mente desenvolve um mecanismo de defesa: a espera.
O Messianismo Político: A substituição do “salvador religioso” pelo “Pai da Nação” mantém a estrutura de poder vertical. O cidadão deixa de ser um agente de mudança para se tornar um beneficiário passivo.
2. A Síndrome Pós-Traumática de Escravidão (SPTE)
O conceito de SPTE (frequentemente discutido por acadêmicos como Dra. Joy DeGruy) explica como traumas multigeracionais resultam em comportamentos de adaptação que persistem hoje.
A Deificação do Estado: O Estado deixa de ser uma ferramenta de gestão técnica e passa a ser uma entidade mística que provê ou castiga.
A Impotência Coletiva: A crença de que “não podemos fazer nada sozinhos” é o maior triunfo do sistema colonial, pois a autodeterminação é vista como um perigo ou uma impossibilidade.
3. O Ciclo do Assistencialismo
O texto alerta para como o assistencialismo (seja estatal ou de ONGs) pode atuar como uma “droga” que mascara os sintomas sem curar a doença.
Ele corrompe a autodeterminação.
Mantém o indivíduo na posição de sujeito subalterno, alguém que recebe a história em vez de escrevê-la.
Reflexão Crítica
A provocação de Fortunato é um chamado ao “despertar do despertar”. Ele sugere que mesmo quem se diz consciente pode estar apenas trocando de “salvador” (um novo político, uma nova ideologia, um novo líder de movimento) sem quebrar a dinâmica de dependência em si.
”A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.” — Esta máxima parece ser o antídoto que Fortunato busca: a transição da expectativa no outro para a ação em si mesmo.
Você concorda que a estrutura das ONGs e do auxílio internacional, por vezes, acaba por validar essa “patologia da espera” em vez de fomentar a autonomia real?